sábado, 24 de dezembro de 2011

A mais bela...


De certa forma, ele sabia que seria ela para sempre. Não só por causa do estranho batimento cardíaco acelerado ou a respiração descompassada, não apenas pelas memórias que não deixavam os pensamentos dele por um segundo. Não, não só por isso. 

Mas porque uma beleza fascinante irradiava dela. Mesmo com os cabelos molhados escorregando pelas costas e o rosto simétrico limpo de qualquer resquício de maquiagem. Embora a gigantesca blusa escondesse todas as curvas e o short largo ocultasse as torneadas pernas. Ainda que os óculos que ela usava para ler – despencando pelo nariz diante da surpresa em encontra-lo ali, na sua porta – escondessem parte do brilho cativante dos olhos verdes. Apesar dos pés, livres de esmalte como as mãos, estarem descalços de ornamentados saltos. E principalmente, por mais que estivesse ali, no conforto de sua casa, segurando um livro de folhas gastas enquanto uma parcela das amigas a tinham convidado para uma tarde no shopping, ela, logo à frente, os olhos arregalados com sua presença inesperada por trás dos óculos, continuava a ser a garota mais bela do mundo inteiro.

“O que você está fazendo aqui? Não tinha saído com os meninos?” ela perguntou, confusa.

“Decidi não ir. Senti sua falta.”

Ela riu, aos ouvidos dele, uma melodia.

“Nos vimos pela manhã. Além do mais, estou completamente desarrumada.” Assim que disse as últimas palavras, olhou-se com um constrangimento que o encantou.

“Não, não está.” Ele discordou com convicção, aproximando-se dela.

“Mas eu não-“

Ele cortou sua frase com um abraço, os lábios pousados na testa em um aconchegante carinho.

“Eu já disse o quanto você está linda hoje? Especialmente agora?”

Ela sorriu, um tímido sorriso de fascinação, mas os olhos dele gravaram cada centímetro daquela imagem antes de beijá-la. Não só um beijo, mas uma promessa: para ele, ela seria sempre a garota mais bela do mundo.

Thais T.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Porque é na escrita que meus monstros se libertam, que meus anjos se iluminam, que minha imaginação dança além do comum.

Você sabe quando escrever é mais do que qualquer hobbie, porque uma música no momento certo pode desencadear uma explosão de ideias e imagens; porque uma frase pode inspirar páginas e páginas de criatividade. Você simplesmente sabe, que com um papel e uma inspiração, é capaz de tudo. Porque no fundo, você tem plena consciencia de que essa é a sua arte, e portanto, um verdadeiro artista jamais desiste de suas palavras.

Thais T.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Distante... (parte 1)

A mudança era lenta, perigosa. Sem a devida atenção, ninguém poderia notar que o fogo estava desaparecendo. E o gelo, com sua frieza lancinante, impunha presença.

Os acontecimentos se desenrolaram suficientemente rápido para que eu não percebesse de imediato, mas então, após um tempo de relativa paciência, compreendi que aquele vazio estava se tornando permanente. E como consequência, o meu vazio passou a ser preenchido por um ressentimento doloroso.

Cinco meses. Cinco meses sem ele.

Esse era um período curto, na realidade, em comparação ao que estava por vir. E a imagem desse futuro forçou uma última lágrima a escorrer por meu rosto, deixando um rastro tão desprezível como meu interior.

Então, com uma nova lufada de ar nos pulmões, limpei os resquícios de um choro silencioso e retornei para a “reunião das garotas”. O movimento estava calmo no restaurante que Jéssica Lewis escolheu, nos favorecendo com a constante atenção dos garçons e um especial requinte em nossos pedidos. Eu estava, no entanto, em uma árdua batalha para evitar qualquer atenção que pudesse se voltar para mim, seja o zelo dos atendentes ou a curiosidade das mulheres. Essa última, contudo, estava se tornando quase impossível. 

“Rachel, querida, nos conte mais sobre você. Não nos vemos há muito tempo.” Ouvi Jéssica dizer, o interesse por novas informações explícito em sua voz.

Um pequeno sorriso retribuiu seu entusiasmo enquanto eu me punha a comentar sobre as amenidades da minha vida, obviamente não satisfazendo sua sede por fofoca. Pude, todavia, notar o brilho animado em seu olhar quando falei de modo breve sobre meu marido.

“E ele viaja bastante, não é?” ela questionou.

Assenti relutante, desgostosa em revelar sobre isso. Mas assim como fora seu convite para essa saída, Jéssica tem a mania de forçar uma resposta para suas perguntas. E geralmente, uma que seja de seu gosto.

Eu sabia, contudo, o motivo de seu evidente interesse na vida do meu marido. Ele possuía as três características que ela mais prezava em um homem. Muito dinheiro, colossal beleza e um casamento. David era um milionário empresário, dono de uma aparência divina e casado. E Jéssica, já no terceiro relacionamento com um homem endinheirado, era o estilo de mulher que tinha o doentio hábito em passar de amante à esposa, apenas pelo prazer de ser a razão de uma separação em que ela é a nova escolhida. Desde a primeira vez que nos encontramos em um evento beneficente e ela pousou os olhos ambiciosos em David, eu soube o que ela desejava. Isso, todavia, nunca me preocupou. A minha escolha por ele não foi em vão, a fidelidade é um principio que ambos compartilhamos.

Assim como era o amor, lembrei a mim mesma.

Nenhuma das faces maquiadas que me observavam nesse momento, no entanto, entenderia a dor que se expandia. Elas alegariam que as constantes viagens que ele fazia não mudariam nada, com exceção da conta bancária, logo, o aumento desses números seria o suficiente para satisfazê-las pela distância. Mas não a mim. Elas não compreenderiam que uma das piores sensações existentes era a saudade. Não uma unha quebrada. Elas não veriam, portanto, o gelo. O frio entre um casal que antes se amava com ardor. E era exatamente isso que me machucava: a nossa perda.

Cansada dessa reunião e do rumo que a conversa tomava, esperei que uma delas comentasse algo que me tirasse dos holofotes e pedi desculpas pela minha saída antecipada, em decorrência de um processo de última hora que estava em minha responsabilidade. O trabalho existia, mas o fato de não haver nenhuma pendência por hoje, contudo, eu deixei de comentar. O certo prestígio que seguia meu nome como advogada pareceu convencê-las, apesar dos protestos para que eu ficasse e prosseguisse com os relatos da minha vida de casada.

Então, certa de que o manobrista já saíra em busca de meu carro, deixei uma nota de cem dólares com o gerente, solicitando que contabilizasse como minha parte da conta, embora tudo o que eu tenha consumido fora apenas um cosmo. Após uma breve despedida e a recusa de mais um encontro de garotas por causa de um compromisso recém-inventado, caminhei em passos apressados até meu Aston Martin, partindo em velocidade alta.

No caminho, entretanto, não pude impedir minha mente de viajar pelo passado. Pelos sorrisos e olhares. Pela paixão. Recordei a faculdade, o exato momento que nos trombamos no prédio de direito, de como eu estava resplandecente pelo primeiro mês em Harvard. Libertei as lembranças dos anos seguintes, da força do nosso relacionamento, ambos experientes com frustrações amorosas e inexperientes com o novo sentimento que faiscava entre nós. Lembrei do nosso casamento, o dia que evocou em mim os antigos sonhos adolescentes sobre príncipes e contos-de-fadas, o dia que quase acreditei em finais felizes. Uma por uma, as memórias da lua-de-mel, o júbilo do primeiro ano e a cumplicidade do segundo explodiram diante dos meus olhos. Logo, o terceiro e atual começou a transbordar em forma de lágrimas.

Um ano depois do casamento, retomamos todos os compromissos que antes havíamos abdicado para melhor proveito dos primeiros doze meses como um casal oficial. E a cumplicidade proveio da compreensão de ambas as partes em relação aos compromissos constantes, às viagens repentinas. O entendimento mútuo apenas intensificou o amor e os reencontros eram sempre calorosos, repletos dos mais apaixonados beijos e das lembranças mais vívidas.

Com o passar do tempo, no entanto, alcancei meu maior desejo como profissional: o renome no mundo da advocacia, e consequentemente pude me estabilizar na cidade. Os clientes que eu antes viajava para encontrar, passaram a vir até mim. As reuniões continuaram frequentes, mas meu tempo em casa se estendeu. Portanto, no final do dia, eu voltava. Ele não. O lugar, antes tão aconchegante apesar de gigantesco, parecia ainda maior, exclamando insistentemente que apenas uma pessoa não conseguia suprir o vazio de uma mansão daquele tamanho. E então, ao amanhecer, eu acordava na nossa cama. Ele não. Os lençóis, antes tão quentes e convidativos, pareceram congelar diante da falta de uma parte essencial do casal. No decorrer dos meses, eu simplesmente me deparava com a solidão. Em uma casa imensa, uma cama vazia, refeições solitárias e fins de semana entediantes.

Porque embora assim como eu, tenha obtido seu reconhecimento ainda jovem, o prestígio dele não o consolidou em cidade nenhuma, levou-o, na verdade, a atravessar o mundo em busca de bons investimentos. E as viagens de uma semana, devagar, prolongaram-se para “indeterminadas”.

Quando eu me dei conta, a saudade que se tornara o combustível dos recém-casados, transformou-se no veneno que os destruía. A distância se impunha de maneira poderosa, o suficiente para nos tornar quase simples conhecidos morando – brevemente – sob o mesmo teto. E a dor mais lancinante era intangível: eu ainda o amava. Loucamente. Tanto quanto da primeira vez que o vi, da primeira vez que o beijei, da primeira vez que nos amamos.

Eram incessáveis as lágrimas que deslizavam pela minha pele assim que eu desliguei o motor na garagem, saindo do carro cambaleante. E por mais que minha respiração estivesse desregulada, meus passos instáveis e minha visão turva pelo choro, tive a capacidade de vislumbrar as luzes ligadas. Nenhum funcionário estaria na sala de estar agora, nenhuma visita viria sem avisar. Só me restava uma opção. David estava de volta.

Thais T.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Eternas esmeraldas

              Cada ponto nervoso de meu corpo estava eletrizado, mandando correntes elétricas à meus pensamentos e reações. Não era facilmente que eu evitava transparecer meus temores, muito menos sobreviver a cada dia com a moldada máscara de indiferença que me tomava o rosto despedaçado. Ao olhar dos outros, eu era uma simples mulher fria e insensível, focada apenas em exercer sua profissão e ignorar os que tentavam lhe rodear. Ninguém entendia, ou ao menos tinha a capacidade de tal ato.
                No entanto, eu preferia os constantes olhares de curiosidade pelo que eu possivelmente escondia em baixo de minha armadura inquebrável, e até mesmo, os olhares incisivos de descontentamento, alguns com a dor da rejeição por uma célebre, contudo, simples advogada como eu, e outros com a cruel repugnância por minha maneira de autoproteção. Nenhuma das expressões que me desaprovavam, fazia ideia do que eu aprisionava atrás da barreira fria e calculista. Nenhuma das mentes que me julgavam, sabia do real motivo além dos falsos e insuportáveis rumores que corriam por onde quer que eu passasse.
                Todavia, eu sabia que estava atuando muito bem. Todas as caretas de desconforto por meu desprezo constante demonstravam meu sucesso. Nenhuma das suposições que tentavam descobrir minha verdadeira personalidade desconfiava do fogo que me queimava o coração toda vez que me deparava com olhos verdes similares aos dele. E isso, tinha que ser algo bom, certo?
                Agarrava-me a esperança de que um dia, quem sabe, a dor dilacerante que acometia minha alma desaparecesse. Que a falta de seus braços em volta de mim se dissipasse. Não podia me render à saudade que meu corpo clamava pelo dele, muito menos a carência de seu perfume natural e inebriante entrando em meus pulmões e me entorpecendo. Era completamente inevitável imaginar como seria ter seus lábios cheios sobre os meus mais uma vez, ter suas mãos possessivas e carinhosas passeando por meu corpo rendido a tal toque, ter a pele sendo posta em fogo ao mínimo vislumbre de tê-lo novamente. Sentia falta das maiores lembranças entre nós, e infinitamente das menores, as quais seriam imperceptíveis a qualquer outro. Pequenas memórias como enterrar meu rosto no vão entre seu ombro e seu pescoço, ser beijada carinhosamente ao amanhecer, suas palavras abrasadoras sussurradas ao meu ouvido, o sorriso estonteante que lhe cobria o rosto quando nos encontrávamos, a maneira que ele fazia parecer que no mundo só existia eu e ele, o simples fato de estarmos juntos na mesma cama, unidos pelo amor que eu achei ser eterno, e a mais importante das memórias, cuja permanência em minha mente seria para sempre. As esmeraldas brilhantes incrustradas em seus olhos perfeitamente desenhados. Aquele mar verde e sem fim, pertencia somente e unicamente a mim. Essa era a única verdade que eu ainda tinha plena certeza.

Thais T.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Vamos lá, garota!


Vamos lá, garota. Nariz empinado, cabeça para cima. Coloque o vestido preferido, aquele que já vivenciou muitas aventuras, e ainda assim está pronto para deixar alguns queixos caídos pelo caminho. Calce os saltos mais poderosos, os doloridos, mas majestosos. Penteie o cabelo, jogue para o lado, desarrume, solte, prenda, sinta-se livre. Capriche no delineador, no rímel, naquele gloss de menta que você tanto adora. Pronta? Camuflou o coração quebrado, os rastros de lágrimas, o sorriso despedaçado? Muito bem. Vá dançar, se entreter, se distrair. Hora de reiniciar. De reconstruir.
Mas, se por acaso, você for que nem eu, então sua reconstrução tem um processo mais singelo, embora mais duradouro. Se formos parecidas, você não precisa de vestidos, sapatos, maquiagem. Simples. Vista um short e aquele camisão que cabe duas de você. Fique descalça, para que saltos? Lave o rosto, limpe a alma. Sem rímeis por hoje, só seu natural. Nesse instante, o estado dos cabelos será seu menor problema. Prenda-os em um coque desajeitado. Pronta? Não é necessário camuflar, chore se quiser, mas, se realmente for como eu, nem adianta tentar. Chorar nunca foi sua maior habilidade. Vá assistir a um filme deitada na cama, ler um livro sentada na varanda, assistir da janela o pôr-do-sol. Vá assaltar a geladeira, sempre com os fones de ouvido ressoando a trilha sonora do dia. É simples, certo? Não. Não é. Reconstruir sempre será uma árdua batalha. Você está disposta?
Thais T.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lágrimas...

Os olhos acinzentados, tão nublados como o céu chuvoso, não conseguiram mais ocultar as mágoas. Ela deixou as angústias se libertarem em forma de dolorosas lágrimas. A garota de cabelos revoltos, no entanto, nunca chorava. E essa falta de hábito pareceu fazer diferença quando tudo o que ela conseguiu exprimir foram poucas gotas, enquanto na verdade, o maremoto dentro dela ainda ameaçava inundá-la.
Tira, por favor. Faz essa dor parar.
Seus pensamentos, assim como seus olhos, se turvavam diante da tristeza. Ela queria ser como os outros. Desejava poder encharcar seu travesseiro, extravasar toda a agonia. Mas ela não era como os outros. Seus problemas poderiam ser similares, mas o modo como ela lidava com eles se diferenciava completamente. A menina parecia viver com medo, sempre em defesa, sempre com a armadura a postos.
Depois de algumas horas, forçando um choro que não vinha, ela desistiu. Cansou de tentar ser forte, de se tornar normal, de esquecer os problemas. E fez o que de melhor sabia. Ser ela. De um estranho jeito, é verdade.
Ela enxugou os resquícios de lágrimas que foram valentes o suficiente para deslizarem por seu rosto, ainda que todas as outras – teimosas – se negassem a sucumbir. Observou a janela, o céu escurecido pela chuva fina que molhava a rua, nebuloso como seu interior. Então, respirando fundo em busca de fôlego depois de mais uma sessão frustrada de “sensibilidade”, ela se levantou da cama e rumou para seu paraíso. No caminho, é claro, não deixou de levar consigo uma gigantesca caneca de café, preto e quente, seu melhor amigo. E se dirigiu para o cômodo preferido da casa.
Com um livro na mão, a xicara fumegante ao seu lado, rodeada por uma biblioteca invejável e acompanhada do mais delicioso silêncio, ela submergiu de volta ao seu mundo. Pela primeira vez no dia, com um sorriso no rosto.


(Thais T.)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sem combustível

        Para onde fugiram as folhas convidativas, as palavras bem colocadas, as páginas incontáveis, as metáforas admiráveis? Para onde foram as capas cativantes, as frases bem moldadas, as narrativas viciantes? Pergunto-me nas tardes, nas noites, nas horas vagas, para onde foi aquele sabor tão sedutor? Aquela ânsia de mais, aquela vontade de devorar obras, de tragar para a estante mental todos os autores renomados; os escritores dignos de inveja. Questiono-me, para onde correram? Sinto falta de vocês. De Jane Austen’s, de Dan Brown’s, de José de Alencar’s, de Louisa May Alcott’s, de Martha Medeiros’s, de todas as mentes que cobiço. Sinto falta dos dias velozes com os olhos cravados nas letras, nas falas, nos relatos. Que saudade de imaginar as personagens, suas feições, suas roupas, suas atitudes. E é desse antigo hábito que estou atrás, para voltar a sentir o que eles sentem. Os protagonistas, os antagonistas, os coadjuvantes. Cada um traz a mim, através de simples, porém tentadoras páginas, um rumo de vida; um final feliz; um fim trágico; uma paixão; uma lágrima. Uma a uma, as sensações me levam a outro mundo, criado por mãos com aptidões inimagináveis que empunharam canetas comuns, mas cujas pontas libertavam pessoas, lugares e tempos aprisionados.
        Porque lá fora, em um mundo estranho e severo, as pessoas se viciam em drogas perversas e audaciosas, com o intuito de se desligarem por um instante. Pois aqui vai uma dica valiosa. A minha droga me entorpece, me vicia, me alegra e me angustia, e sabe o melhor? Sua conseqüência não me mata e não me aniquila aos poucos, ela se concentra nessa pequena palavra com gigante significado: conhecimento.
        Então é isso, em missão de resgate ao meu combustível perdido: A mais mágica das drogas, a leitura.

Thais T.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

"Pior que uma mulher que fala o que pensa é uma mulher que escreve." (T. B.)
   Talvez seja isso que crie essa barreira ao meu redor que afasta todos aqueles que outrora se aproximaram.
      Ele tem medo de mim. Tem medo das minhas metáforas, tem medo dos demônios que eu deixo passar pela ponta da caneta. Ele teme esses mistérios que só o gesto feminino é capaz de deixar; ele estremece ao pensar na possibilidade de desvendá-los. Ele teme que eu, de tão transparente, passe a ser desconhecida. E teme que eu o saiba além da conta. Ele tem medo das minhas palavras. E das suas. Tem medo das entrelinhas. E do que há entre elas. E além.
      Ele teme que eu seja mesmo tão forte quanto as palavras que uso, tão ácida quanto as ironias, tão azeda a ponto de ser intocável. Não tenha medo, meu amor, essa é só a minha armadura.

(Duda de Oliveira.)

sábado, 2 de julho de 2011

Um espetáculo...




Partindo para uma nova aventura. À espera da realização de um sonho que nem fazia ideia que possuía. Não estou nervosa. Nem demasiadamente alegre. Ansiosa, sim. Espero que o tal mundo dos sonhos seja tão fantástico como todos dizem. Espero que, pela primeira vez, meu instinto adolescente exponha suas garras e me liberte para presenciar o espetáculo... De magia. De fogos de artifício. De amizade. De euforia. De juventude. De consumismo. De liberdade. De viajar. Simples assim. O espetáculo de sonhar.




Thais T.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tarde demais...

    
J
á virou comum, rotineiro. Mas não devia.
Cansada de presenciar julgamentos sem fundamento, críticas exacerbadas, fofocas em demasia e uma inexplicável importância doentia às aparências.


Não se pode mais ser bom em algo e você sentirá o poder da inveja, não se pode mais não ser bom em nada e você sentirá o poder, além do seu próprio fracasso, do escárnio alheio. Não se pode mais ser nada, afinal, em uma juventude que todos querem ser tudo.




Thais T.

Um café, por favor.




Um café, por favor. Preto, como todas as minhas angústias. Quente, como os meus sonhos insanos. Doce, como a minha juventude. Grande, gigante, colossal. Assim, eu me perco nos devaneios que o café me traz, e me esqueço que perdida mesmo, estou aqui fora. Sim, apenas um café, obrigada.


Thais T.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Cicatrizes...

Aqui vai uma dica: Se você é o tipo de pessoa que não guarda mágoas, por mais difícil que seja a situação, lhe desejo minhas congratulações mais verdadeiras. Mas, se você possui um coração difícil e atende por ‘rancoroso’, tudo que lhe desejo são meus pêsames.
Porque nada é mais doloroso do que conservar memórias agonizantes, uma raiva dominadora, um olhar de desesperança. E ainda que algumas vezes, o rancor aparente amenizar, uma força sobre-humana te impede de perdoar. E a amargura volta. Com toda a força.
No entanto, a questão é: Como dar a certeza que após uma ferida aberta, ela vai curar sem deixar cicatrizes?
Não há certeza. Existe apenas o ato de ocultar as marcas, mas esse, é um domínio para poucos.

Thais T.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Novos ares

          
          Pela manhã, quando enfim abro meus olhos com o intuito de começar mais um dia, não posso deixar de pensar em quão tediosa minha vida anda. Isso é, andava. Ano passado, a palavra monotonia era capaz de definir a cada dia pelo qual eu passava. Hoje, no entanto, um triste motivo me fez sair da rotina “sem nada para fazer” que eu antes exercia. Escola. Estudo. Vestibular. As intermináveis horas que antigamente eu atravessava olhando para o teto, na frente do computador, assistindo filmes e séries e comendo, comendo, comendo... agora não passam de curtos momentos. Eu certamente não estudo o tanto que deveria, grande parte se passa com minha mente vagando por pensamentos distraídos enquanto tenho a forte sensação de que deveria estar estudando, mas não me sinto mais à vontade para deitar e adormecer a tarde inteira, para mergulhar na Internet e só retornar a superfície na hora de dormir, para fitar além da janela nada em especifico, porque, com ou sem meu consentimento, a maldita consciência pesa. Eu deveria estar estudando, eu deveria estar estudando...
          Contudo, ainda que eu definitivamente tenha muito o que fazer, não posso negar: Que tédio! Necessito, de modo quase desesperador, de surpresas, novidades, algo inesperado, novos ares. E, por mais absurdo que possa soar, sei, que a mais ou menos 2 anos, quando estiver na faculdade – por favor, por favor que seja verdade – sentirei falta de toda essa rotina sem graça, de ir para a escola com cara de sono, com bocejos presos na garganta, com o cabelo para cima e olheiras profundas. Aquela saudade esquisita de encontrar os amigos na entrada, saída e intervalo, de conversar em horas inapropriadas, de levar bronca do professor, de rir por nada, de sentir que por mais que o mundo caia, aquela turma é sua segunda família.
          Enfim, seja a nostalgia dos tempos que agora é presente e depois será passado, seja o impressionante fato de que o dia tem 24 horas quando na verdade tudo passa tão rápido na menor distração, ou seja porque – o motivo inicial do texto afinal – adolescente que é adolescente se sente entediado, - Sempre. A toda hora. A todo minuto - não há como negar, ser surpreendida torna a vida mais excitante.
          Talvez seja por isso que a medicina me encante tanto, que ser cirurgiã está no topo da minha lista de profissões mais possíveis, mesmo que sinceramente, eu não faça idéia do que fazer da minha vida. A cada dia é uma nova surpresa, um novo problema, uma nova solução. Sim, teoria meio peculiar.
          Então é o seguinte, vida, me faça um favor. Dê-me alegrias, tristezas, mágoas, orgulhos, mas me dê o imprevisto. O desconhecido. O extraordinário. Por favor, me surpreenda!

Thais T.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O anjo da guarda

10/03/11
Há exato 1 ano, um jovem sorriso esmaeceu.
Um garoto de olhos bondosos, atitudes tímidas e um aceno acanhado, porém cativante, partiu para um lugar incomensuravelmente melhor do que onde estamos. Um local sem ganância, sem mentiras, sem maldade. Ele foi para o céu.
E enquanto estava aqui, foi parte essencial do imbatível trio de amigos no qual meu irmão menor fazia parte. Três meninos sorridentes, apaixonados por futebol, donos de corações inocentes que nutriam um sentimento único: a mais pura amizade. Aquela que lemos em livros, a que supomos ser irreal, aquela que somente as crianças possuem.
Não tive a oportunidade de conhecê-lo como deveria, nossos encontros foram breves momentos nos quais meu papel de irmã mais velha estava sendo exercido. Lembro-me, no entanto, de vê-los – ele e meu irmão – jogando futebol aos risos na quadra do colégio, a bola, muitas vezes substituída por uma tampinha de garrafa, passando de pé em pé até o gol, quando ambos sorriam entre si e comemoravam com a alegria de uma verdadeira criança. Memória essa, ou mesmo a que minha avó contou-me uma vez, faz surgir dentre lágrimas, um singelo sorriso. Uma imagem na qual minha mente fez questão de desenhar cada simples detalhe. A cada hora da saída, enquanto todos se retiravam da sala de aula, meu irmão costumava ser um dos últimos a terminar de copiar o dever do quadro, e era ele, o dono do sorriso meigo, que o esperava. Sentado uma cadeira a frente, ele se virava para o pequeno atrasado, aguardando-o para poderem juntos, brincar antes que viessem levá-los para casa. Pode parecer besteira, uma lembrança simples, mas são exatamente essas simplicidades que faz um dia se tornar melhor.
Após esse relativo tempo, aprendi como lidar com a dor de um garoto de 8 anos. Ainda que meu irmão não demonstre com tamanha freqüência que a maioria das crianças faria, sei que ele pensa em seu amigo muito mais do que nos diz. Pequenas atitudes me revelam isso. Seja porque a cada noite que ele se lembra, vem a mim pedir ajuda para que rezemos juntos por seu companheiro de futebol. Seja porque às vezes, me deparo com um menino que deveria estar em seu mais alto grau de energia, navegando em pensamentos, calmo e distraído. Seja porque meu coração, mesmo que encapado por uma fria camada, se aperta ao ouvi-lo dizer: Lembrei dele hoje. Palavras essas acompanhadas de um sorriso triste que não chega aos olhos. Poucos são os que fazem idéia de quão grande pode ser a tristeza de uma criança, e eu, sinceramente, não queria fazer parte desse grupo. Por isso, de modo contínuo me vejo questionando: Por que? Por que ele?
Hoje, porém, após sua missa de um ano, entendi que há muito mais que uma simples resposta. E enquanto cantava parabéns para uma criança que completaria ontem 9 anos e observava sorrateiramente uma solitária lágrima escapar do olho do meu irmão, compreendi que ainda tenho muito a aprender, e além disso, a famosa frase “Viva a vida intensamente” passou a fazer mais sentido. Porque se ele, na sua infância, foi enfraquecido por uma doença considerada “de adulto”, qualquer um de nós pode se apagar por muito menos.
Então, em meio a tanta mágoa, tive plena certeza de uma coisa. Meu irmão estava sendo protegido. Porque lá de cima, de um lugar onde eu acredito que o extraordinário som de uma risada infantil seja constante, tem alguém resguardando por ele. O anjo Douglas.

Thais T.
Jesus, Meu Deus humano.
Não, eu não vi a sua cura se cumprir,
Eu não vi o seu milagre acontecer,
Nada que eu pedi a Deus aconteceu.

É... Vou tentando achar o rumo por aqui,
Vou reaprendendo ser sem ter você,
Descobrindo em mim o que você deixou.

Grito seu nome, desejoso de resposta,
Quando vejo a mesa posta, e seu lugar sem ter ninguém.

Mas nessa ausência, sei que existe outra presença
Uma força que sustenta, e que me faz permanecer... de pé.

É Jesus, meu Deus humano, meu Deus humano,
Que conhece a dor de ver partir a quem se ama.
Que chorou de saudade, que sofreu por seus amigos,
E que esteve ao meu lado, quando eu vi você partir.

Por que você partiu, por que você se foi,
E por que o milagre não se deu como eu pedi.

Não, eu não vou perder a fé nem desistir,
Foi você que me ensinou antes de ir.
Vou vivendo assim, conhecendo o coração,
Que você fez pulsar em mim.
(Canto final da missa de 1 ano)

quarta-feira, 2 de março de 2011


“Você me provoca, você me perturba. Joga água e sai correndo. Atira a pedra e me acerta de raspão. Me espia no escuro e mostra a língua. Me xinga. Me atiça. Invade o meu sossego. Meu refúgio. Pisa no meu ninho com os sapatos sujos. Na minha toca. Sem saber o meu tamanho, até onde vai meu bote, você me provoca achando que não há perigo. Sem conhecer a força da minha mordida, o tamanho dos caninos. Você me provoca sem esperar a picada. Sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno…”

- Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Não tente nos entender...


   Ser adolescente é difícil. Dizem que esta é a melhor fase da vida. E eu digo, não acredite neles. São incontáveis fatores que fazem de nós, garotos e garotas em crescimento, bobos do mais alto grau. Temos oscilações repentinas de comportamento e nossas opiniões mudam constantemente. Temos uma necessidade desesperadora de uma vida social sempre ativa e adoramos ser convidados para tudo, mesmo que no final, recusemos todos os convites. Nos fechamos em nosso mundo, porém, ao mesmo tempo, queremos que as pessoas nos desvendem. Continuamente recusamos as dicas dos mais experientes, dos mais velhos, dos pais, para no final, voltarmos aos prantos, pedindo conselhos. Rimos loucamente, rimos por nada, apenas pelo prazer de sorrir com os amigos. Somos tolos completos, acreditamos que aquele amor juvenil durará para sempre, que aquela amizade de uma semana jamais se acabará e que os problemas que surgem conosco, são os piores do mundo. E a bobeira não pára, porque então começa o ensino médio. Prometemos a cada fim de ano, um novo recomeço, um ano cheio de estudos, melhor comportamento, menos discussões familiares e mais organização. Acredite, nada disso acontece. Nos distraímos com as agora tão contínuas festas, passamos a vislumbrar o futuro que desejamos, mas não fazemos nada para alcançá-lo. Somos derrotados pelas novas tentações, despencamos com nossas notas e o boletim é colorido de vermelho. Vem castigo, vai castigo. Nada muda. E então, mais que de repente, nos damos conta do que queremos. Conseguimos visualizar uma carreira bem sucedida, um futuro pelo qual estamos dispostos a lutar. Começamos a pensar sobre faculdades, sobre a competição, sobre estudar mais que o adversário. As festas diminuem, mas não acabam – não há como resistir a todas –, aquele amigo que conquistamos em um dia e passara a nos acompanhar em cada saída, repentinamente pareceu se focar em sua futura carreira, assim como nós. Chega um momento, no entanto, que nos perguntamos: Para onde se foi aquela agitação adolescente? A resposta é simples. Está aqui. Reprimida, esperando para se libertar na menor distração. E de vez em quando, explode. Acordamos com a sensação de que o dia será detestável, emburramos e nos mantemos em silencio por todo o tempo possível, descontamos em que não se deve, batemos boca, descobrimos defeitos irritantes em pessoas nas quais achávamos perfeitas. Deixamos de falar com milhares de amigos, o dia passa e no seguinte, agimos como se nada tivesse acontecido. Porque somos assim. Bobos e estranhos. Cada um com sua peculiaridade. Todavia, além da confusão emocional, física e psicológica que arranjamos para nós mesmos, outra similaridade nos une. Sonhos. Cada adolescente tem o seu, obviamente, mas compartilhamos quando nos deparamos com alguém semelhante e teimamos em defender nossas opiniões ao nos chocarmos com alguém tão oposto. No fim, contudo, todos sonhamos. Sonhamos alto. Alçamos vôo. A razão, originada do inicio já próximo da vida adulta, faz o favor de avisar sobre o perigo da queda, a precaução e que algumas feridas jamais se curam. E daí? Podemos estar prestes a iniciar a maturidade completa na forma de um adulto, mas por enquanto, ainda somos adolescentes. E sonhamos, sonhamos, sonhamos...

Thais T.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ah, doce ironia.

     Em um mundo regido por ironias, tento sobreviver em meio ao sufoco do temido vestibular, de uma vida social oscilante e da confusão eterna que é a adolescência. Então, buscando um meio de sobrevivência, exponho aqui minha nova descoberta. Uma paixão que colore a insossa rotina e salva minha mente dos duvidosos gostos da nova juventude. Eu escrevo. E você, seja bem-vindo(a) a minha Doce Ironia.

Thais T.