Não é todo dia que nos deparamos com pessoas "perfeitas", mas elas existem. Não no sentido completo da palavra, ainda bem. É uma perfeição mascarada, em que os defeitos são ligeiramente ocultados; as falhas encobertas por finos panos. Para no final, continuarem visíveis, mas maquiadas com uma grossa camada de uma inexistente personalidade. O que as "perfeições" não entendem, no entanto, é o valor dos "errados".
Cedendo de vez à sinceridade, devo confessar que em um amor, prefiro lágrimas ocasionais do que um sorriso já exausto de se manter. Prefiro brigas eventuais do que o mesmo beijo na testa ao final de um dia sem nenhuma emoção. Prefiro oscilações de humor parcialmente insanas do que uma única faceta até a morte. Prefiro surpresas com o perigo de serem desagradáveis do que uma vida sem sustos. Prefiro sofrer o risco do que ser telespectador. Prefiro as imperfeições, porque sem elas nada disso seria possível.
É essencial perceber que a humanidade não provém de fatos biológicos, e sim dos erros que podemos cometer. De pequenas atitudes incorretas para avivar uma rotina previsível demais. Pois, afinal, quem determinou tantas regras sociais a ponto de nascermos com um manual de instrução? Eu não sei você, mas se a sociedade nos define e eu sou parte dela, decidi então que não é contra lei nenhuma me auto-definir. Serei instintiva, doce ou amarga quando meu espírito desejar; serei livre e selvagem; meiga e exemplar quando minha própria definição assim quiser. E por enquanto, serei apenas eu... talvez não para sempre, talvez não por anos, talvez não até amanhã.
Thais T.