Olhe ao redor. Olhe atentamente.
O que você vê?
Vejo olhos amadurecendo.
Vejo livros em transição.
Vejo uniformes relegados.
Vejo novas rotinas.
Vejo liberdades adquiridas.
Vejo livros em transição.
Vejo uniformes relegados.
Vejo novas rotinas.
Vejo liberdades adquiridas.
Mas evito olhar no espelho, temerosa do que possa aparecer.
Reflexos são inversos, contudo, não menos reais. São as brutas palavras de que
você foge, os olhares de dúvida. De si. Do que. De onde.
Olhar ao redor requer esforço, exige submergir do seu universo
particular para entrar na realidade. Olhar no espelho demanda coragem, estar
disposto a entender que as pequenas rachaduras no reflexo não são defeitos da
superfície, mas falhas suas. Bem no canto, uma fratura sobre o olho. Resultado
das lágrimas derramadas por aquele fracasso. Na parte inferior, uma trinca na
perna. Sequela das raízes venenosas que não lhe deixam sair do lugar. No topo,
uma fenda nos lábios. Fruto do silêncio corrosivo que você guardou para si; do
grito revoltoso trancado à chave enferrujada. Passando a vista pelo espelho
inteiro, a percepção da quantidade de rachaduras faz a coragem cambalear. O
esforço de manter a cabeça acima do nível das águas de retraimento começa a desaparecer.
Olhe ao redor.
Olhe no espelho.
Olhe no espelho.
O que você vê?
Fraturas que eu não sei consertar.
Thais T.