Assista antes de ler o texto.
Lay my heart down
Laid it down for you
Laid it down for you, oh
Put my arms out
Put 'em out to you
Oh Lord I was reaching for ya
Reaching for ya
Oh child, reaching for ya
Reaching for ya
Oh, but you will never know this love
Will never know this pain
Never know the way I feel for you
You will never know this touch
Will never know this shame
Will never know the way I want you to
You will never know my love
You will never feel the way I do
You will never know my love
You will never feel the way I do
Colocaria meu coração para baixo
Pus para baixo para você
Pus para baixo para você, oh
Colocar meus braços para fora
Colocá-los para fora para você
Oh Senhor, eu estava alcançando você
Alcançando você
Oh criança, estendendo a mão para você
Alcançando você
Oh, mas você nunca vai saber desse amor
Oh, mas você nunca vai saber desse amor
Nunca vai saber esta dor
Nunca vai saber o que eu sinto por você
Você nunca vai saber este toque
nunca vai saber dessa vergonha
nunca vai saber da maneira que eu quero
Você nunca vai saber sobre o meu amor
Você nunca vai sentir da maneira que eu sinto
Você nunca vai saber sobre o meu amor
Você nunca vai sentir da maneira que eu sinto
Esse é o tipo de coreografia que provoca as terminações
nervosas da minha pele, causa nelas aquele formigamento estranho que não tem
causa definida nem cura específica. O tipo que vai crescendo na música, no
chão, no dançarino e, dentro de mim, especialmente.
Acrescentei a letra da música no início porque existem
danças que não necessariamente dependem do significado, essa não é uma delas. O
ritmo, os movimentos, as palavras e as expressões, todas se mesclaram em uma
grande bomba-relógio, coladas e unidas; se for para explodir, que sejam todas
juntas.
E é por aí que vou começar. Expressão. Não é à toa que a
coreógrafa é tão renomada mundialmente, não apenas sua técnica e criatividade
excedem o ordinário, mas suas expressões faciais também.
Se você acha que dança se limita ao corpo, assista o vídeo de novo e fique mais
atento aos rostos.
A coreografia inicia com o que eu entendo como estupor.
Aquela sensação de simplesmente não sentir, o vazio de algo que já foi tão
usado, tão abusado, tão deteriorado que não há nada a fazer além de permanecer.
E então, tudo explode.
Não era verdade afinal, é só mais fácil fingir que não se
sente. Mas no fundo, na solidão do quarto, na escuridão noturna, nos
pensamentos distraídos, tudo o que você faz é sentir. O que? Nesse caso, o amor
e a dor estão tão entrelaçados que a linha entre eles é invisível a olho nu. Sendo
bem honesta, eu nunca tive essa experiência, e justamente por isso, que a arte
é tão maravilhosamente bonita. Ela causa, origina, excita, provoca emoções que
você jamais se quer sonhou em sentir como se fossem suas e somente suas.
Mas aqui vai o que as minhas terminações nervosas captaram,
da ponta do cabelo até a ponta dos pés.
Você vê como certos movimentos são bruscos? Fortes e potentes? E como outros são
resignados à uma implosão interna? Você vê? Talvez não, talvez sim. Pois eu
vejo, muito provavelmente parte da minha própria imaginação, ou muito
provavelmente parte da mente extraordinária da coreógrafa.
São movimentos que expressam (aquela palavra de novo), aos meus olhos, o ato de
amar tão intenso, mas tão intenso, que você se perde na profundidade. É a
respiração rápida e o constringir da barriga, a boca seca e o olhar fosco. Não
é apenas estar apaixonado, mas se entregar de tal forma que você tem a mais
plena certeza que a outra pessoa, seja correspondido ou não, jamais vai lhe
amar como você a ama. Porque não existe a possibilidade de outro corpo comportar
o que está dentro de você.
E com isso, vem a dor. É amar tanto, mas tanto, que dói a
ponto do desespero. Sim, é clichê. E eu me importo? Nem um pouco.
Sabe aquele frio na barriga? Já virou uma hipotermia generalizada. Sua caixa torácica
não deixa mais os pulmões se expandirem e os olhos estão foscos de lágrimas, ou
talvez a falta delas. É uma dor interna que os dançarinos puxaram, esticaram,
arrancaram para fora. Foi um cabo de guerra, e eles venceram. Espero que você
tenha visto as expressões, as dolorosas e doloridas; alguns estavam a ponto de
chorar, alguns eram consumidos pela raiva; outros simplesmente doíam. Cada um
lida com a dor de uma forma, e uma dança conseguiu expor esse fato da melhor maneira possível.
Sem contar, é claro, em quão talentosos eles são. Como
admiradora assídua, já acompanho a maior parte deles. E para a sua informação,
a maioria ainda não completou nem 17 anos e, ainda assim, eles expressaram a
dor de alguém que viveu vidas e vidas de um amor mais alto que todos eles
juntos. É uma juventude que traz para a arte a intensidade que só um
adolescente entende, com uma coreografia que só um artista entende, com uma
expressão que só o talento entende; e para os admiradores, nos resta repetir
quantas vezes for necessário para compreender que a dança, mesmo via youtube,
toca mais terminações nervosas do que muito contato físico real.
Eu tinha muito mais para escrever sobre essa coreografia,
mas assim como eles, é tanto, mas tanto, que eu me perdi. Acredite se quiser,
estou escrevendo esse texto inteiro com a respiração cortada, pausando o
digitar vez ou outra para rever o vídeo e sentir tudo de novo, pausar mais um
pouco para recuperar o fôlego e voltar a perde-lo um segundo depois.
Agora que você leu toda essa insanidade, clique no botão play novamente
e reveja, reassista, reobserve e, agora, sinta. Muito provável que não como eu,
mas do seu jeito. Porque, afinal, you’ll never feel the way I do.
Thais T.