Ser adolescente é difícil. Dizem que esta é a melhor fase da vida. E eu digo, não acredite neles. São incontáveis fatores que fazem de nós, garotos e garotas em crescimento, bobos do mais alto grau. Temos oscilações repentinas de comportamento e nossas opiniões mudam constantemente. Temos uma necessidade desesperadora de uma vida social sempre ativa e adoramos ser convidados para tudo, mesmo que no final, recusemos todos os convites. Nos fechamos em nosso mundo, porém, ao mesmo tempo, queremos que as pessoas nos desvendem. Continuamente recusamos as dicas dos mais experientes, dos mais velhos, dos pais, para no final, voltarmos aos prantos, pedindo conselhos. Rimos loucamente, rimos por nada, apenas pelo prazer de sorrir com os amigos. Somos tolos completos, acreditamos que aquele amor juvenil durará para sempre, que aquela amizade de uma semana jamais se acabará e que os problemas que surgem conosco, são os piores do mundo. E a bobeira não pára, porque então começa o ensino médio. Prometemos a cada fim de ano, um novo recomeço, um ano cheio de estudos, melhor comportamento, menos discussões familiares e mais organização. Acredite, nada disso acontece. Nos distraímos com as agora tão contínuas festas, passamos a vislumbrar o futuro que desejamos, mas não fazemos nada para alcançá-lo. Somos derrotados pelas novas tentações, despencamos com nossas notas e o boletim é colorido de vermelho. Vem castigo, vai castigo. Nada muda. E então, mais que de repente, nos damos conta do que queremos. Conseguimos visualizar uma carreira bem sucedida, um futuro pelo qual estamos dispostos a lutar. Começamos a pensar sobre faculdades, sobre a competição, sobre estudar mais que o adversário. As festas diminuem, mas não acabam – não há como resistir a todas –, aquele amigo que conquistamos em um dia e passara a nos acompanhar em cada saída, repentinamente pareceu se focar em sua futura carreira, assim como nós. Chega um momento, no entanto, que nos perguntamos: Para onde se foi aquela agitação adolescente? A resposta é simples. Está aqui. Reprimida, esperando para se libertar na menor distração. E de vez em quando, explode. Acordamos com a sensação de que o dia será detestável, emburramos e nos mantemos em silencio por todo o tempo possível, descontamos em que não se deve, batemos boca, descobrimos defeitos irritantes em pessoas nas quais achávamos perfeitas. Deixamos de falar com milhares de amigos, o dia passa e no seguinte, agimos como se nada tivesse acontecido. Porque somos assim. Bobos e estranhos. Cada um com sua peculiaridade. Todavia, além da confusão emocional, física e psicológica que arranjamos para nós mesmos, outra similaridade nos une. Sonhos. Cada adolescente tem o seu, obviamente, mas compartilhamos quando nos deparamos com alguém semelhante e teimamos em defender nossas opiniões ao nos chocarmos com alguém tão oposto. No fim, contudo, todos sonhamos. Sonhamos alto. Alçamos vôo. A razão, originada do inicio já próximo da vida adulta, faz o favor de avisar sobre o perigo da queda, a precaução e que algumas feridas jamais se curam. E daí? Podemos estar prestes a iniciar a maturidade completa na forma de um adulto, mas por enquanto, ainda somos adolescentes. E sonhamos, sonhamos, sonhamos...
Thais T.