Vamos lá, garota. Nariz empinado, cabeça para cima. Coloque o vestido preferido, aquele que já vivenciou muitas aventuras, e ainda assim está pronto para deixar alguns queixos caídos pelo caminho. Calce os saltos mais poderosos, os doloridos, mas majestosos. Penteie o cabelo, jogue para o lado, desarrume, solte, prenda, sinta-se livre. Capriche no delineador, no rímel, naquele gloss de menta que você tanto adora. Pronta? Camuflou o coração quebrado, os rastros de lágrimas, o sorriso despedaçado? Muito bem. Vá dançar, se entreter, se distrair. Hora de reiniciar. De reconstruir.
Mas, se por acaso, você for que nem eu, então sua reconstrução tem um processo mais singelo, embora mais duradouro. Se formos parecidas, você não precisa de vestidos, sapatos, maquiagem. Simples. Vista um short e aquele camisão que cabe duas de você. Fique descalça, para que saltos? Lave o rosto, limpe a alma. Sem rímeis por hoje, só seu natural. Nesse instante, o estado dos cabelos será seu menor problema. Prenda-os em um coque desajeitado. Pronta? Não é necessário camuflar, chore se quiser, mas, se realmente for como eu, nem adianta tentar. Chorar nunca foi sua maior habilidade. Vá assistir a um filme deitada na cama, ler um livro sentada na varanda, assistir da janela o pôr-do-sol. Vá assaltar a geladeira, sempre com os fones de ouvido ressoando a trilha sonora do dia. É simples, certo? Não. Não é. Reconstruir sempre será uma árdua batalha. Você está disposta?
Thais T.

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