terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lágrimas...

Os olhos acinzentados, tão nublados como o céu chuvoso, não conseguiram mais ocultar as mágoas. Ela deixou as angústias se libertarem em forma de dolorosas lágrimas. A garota de cabelos revoltos, no entanto, nunca chorava. E essa falta de hábito pareceu fazer diferença quando tudo o que ela conseguiu exprimir foram poucas gotas, enquanto na verdade, o maremoto dentro dela ainda ameaçava inundá-la.
Tira, por favor. Faz essa dor parar.
Seus pensamentos, assim como seus olhos, se turvavam diante da tristeza. Ela queria ser como os outros. Desejava poder encharcar seu travesseiro, extravasar toda a agonia. Mas ela não era como os outros. Seus problemas poderiam ser similares, mas o modo como ela lidava com eles se diferenciava completamente. A menina parecia viver com medo, sempre em defesa, sempre com a armadura a postos.
Depois de algumas horas, forçando um choro que não vinha, ela desistiu. Cansou de tentar ser forte, de se tornar normal, de esquecer os problemas. E fez o que de melhor sabia. Ser ela. De um estranho jeito, é verdade.
Ela enxugou os resquícios de lágrimas que foram valentes o suficiente para deslizarem por seu rosto, ainda que todas as outras – teimosas – se negassem a sucumbir. Observou a janela, o céu escurecido pela chuva fina que molhava a rua, nebuloso como seu interior. Então, respirando fundo em busca de fôlego depois de mais uma sessão frustrada de “sensibilidade”, ela se levantou da cama e rumou para seu paraíso. No caminho, é claro, não deixou de levar consigo uma gigantesca caneca de café, preto e quente, seu melhor amigo. E se dirigiu para o cômodo preferido da casa.
Com um livro na mão, a xicara fumegante ao seu lado, rodeada por uma biblioteca invejável e acompanhada do mais delicioso silêncio, ela submergiu de volta ao seu mundo. Pela primeira vez no dia, com um sorriso no rosto.


(Thais T.)

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