A bússola desmagnetizou
O ponteiro entrou em sintonia com a minha mente
O norte perdeu o sul
O leste desconhece o oeste
O que é uma rosa dos ventos?
Ventos não sopram a direção certa
E perdi as rosas de vista
A mancha espalhou nas linhas
Os caminhos desmancharam nas mãos
O café derreteu os planos
Porque estava quente demais para ser consumido
Porque o mapa repousava no lugar errado
O lado incorreto da mesa
Fora de alcance
Não adiantava tentar mantê-lo límpido
Tarde demais para secar
Joguei o mapa fora
Destruí a bússola desmagnetizada
Salvei o ponteiro e guardei no bolso
Ele gira sem planos
Ele lembra o caos residente
Esvaziei a mochila
Não preciso dos livros pesando a alma
Não quero a caneta de tinta escura
Peguei a mochila vazia
Coloquei nesses ombros tortos
E esperei o próximo trem
Amanhã você verá meus versos na areia da praia
desenhados com um galho quebrado
Depois vai encontrar meus silêncios na parede branca
tingidos com uma pedra solitária
Meu mapa está despedaçado
Cada rota nas palavras escritas sem caneta
Nas páginas que o errôneo ventou levou.
Thais T.
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