Por um ano de mais cores. Mais vermelhos: paixões pelos
detalhes. A intensidade do registro de cada segundo. Mais azuis: tristezas por
tristezas. Menos melancolia e mais braços para carregar bagagens de pesos reais.
Mais amarelos: desculpa, mas dinheiro sim. Mais opções em que débitos
estudantis não encubram meu barco com cargas inesperadas. Mais roxos: ousadias
diárias. Menos medos do amanhã. Mais verdes: viagens, por favor. As quatro
pontas da rosa-dos-ventos marcadas no meu mapa. Mais laranjas: faíscas insistentes.
Determinação para acreditar no reflexo que observo no espelho. Mais brancos:
silêncios no meio do caos. Um quarto solitário para pensamentos tumultuados.
Mais pretos: facetas escurecidas. Multifacetados nós somos, mas a que ponto
deixamos o lado mais negro emergir?
Por um ano de mais formas. Menos retas. Menos círculos
desnecessários. E mais linhas que sigam caminhos tortuosos, mas fundamentais.
Mais entrelinhas e cruzamentos, frutos colhidos de árvores passadas. Mais
formas desconhecidas que me levem para lugares inesperadamente valiosos
.
Por um ano de mais páginas preenchidas e menos rasuras.
Marcas de borracha sim, riscos frustrados não. Livros escritos e canetas sem
tinta. Ideias ainda não descobertas, planos ainda não traçados. Negritos para
não esquecer, itálicos para contrastar. Mais pontos finais para dramas
dispensáveis, vírgulas para enredos com momentânea falta de criatividade,
travessões para diálogos não mais silenciados.
Por um ano de mais filmes que valham a pena e filmes de
significados supérfluos. Mais dualidade e menos dúvida. Um pouco de cada lado,
um equilíbrio sempre desejado; nunca conquistado.
Por um ano de mais medicina. Sim, medicina. Mais aulas cujas
finalidades consigo enxergar, mais vontade de estudar, mais motivação para
quando não houver vontade. Sim, mais café. Muito mais café. Um bem-vindo a um
mundo que ser novato é duro, mas empolgante. Entender que a partir de agora,
todos os cadernos são jogados no lixo e novos são comprados, e até o dia que
conseguir completá-los com minhas próprias palavras, meu conhecimento voltou à
estaca zero. Mais paciência para o universo dos adultos, onde conseguir o que
você quer à todo custo não é mais brincadeira.
Por um ano de mais itens fora da lista, mais sonhos
realizados, mais realidade e menos ilusão. Nuvens utópicas são belas, mas estar
entre o céu e a terra é onde tudo realmente acontece. Voar nas asas certas,
pousar quando necessário. Mesclar os fatos e os devaneios, resultar em uma vida
de realizações cumpridas. Compreender que crescer nem sempre significa deixar
de ser criança, aprender a ser adulto nos momentos que a infantilidade não tem
vez. Ser independente.
Por um ano de mais. Simplesmente isso. Mais, 2015.
Thais T.
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